Um cetáceo da espécie Cachalote-pigmeu (Kogia breviceps) encalhou vivo na manhã deste domingo (8/3), na praia de Balneário Bellas Torres, no município de Passo de Torres, no litoral sul de Santa Catarina. A ocorrência mobilizou a equipe da Educamar, que foi acionada por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da TGS na Bacia de Pelotas (PMP-BP).
Os profissionais foram até o local para prestar atendimento ao animal. De acordo com a coordenadora do projeto no Setor C, Suelen Santos, o cetáceo foi estabilizado e passou a ser acompanhado pelas equipes técnicas. “O animal foi estabilizado e foi acionado o Protocolo de Encalhe de Cetáceos da APA da Baleia Franca para avaliar os próximos procedimentos para atendimento”, explicou.
Infelizmente, o animal veio a óbito no final da tarde. A equipe da Educamar realizou o exame necroscópico no local.
Segundo a responsável técnica do PMP-BP/Educamar, a veterinária Amanda Dias, o animal era um macho adulto, medindo 3 metros de comprimento, estava debilitado, com muitas escoriações profundas na pele, com presença de parasitas na região do pescoço e no estômago. “As terceira e quarta câmaras gástricas apresentavam manchas avermelhadas, sugestivas de processo inflamatório, além de congestão encefálica”, explica Dias.
Foram coletadas amostras de tecidos para análise. O animal ficou à disposição da prefeitura de Passo de Torres para que seja enterrado nesta segunda-feira, dia 9.

Espécies raras próximas à costa
O cachalote-anão (Kogia sima) e o Cachalote-pigmeu (Kogia breviceps) vivem, em geral, em águas profundas de regiões temperadas, tropicais e subtropicais, sendo raramente observados próximos às praias.
As duas espécies apresentam diferenças principalmente no tamanho e no formato da cabeça. O cachalote-pigmeu possui cabeça mais quadrangular e dorso mais arqueado. Já o cachalote-anão pode atingir cerca de 2,7 metros de comprimento e pesar aproximadamente 250 quilos. O cachalote-pigmeu, por sua vez, pode chegar a 4 metros e pesar até 400 quilos.
Esses cetáceos se alimentam principalmente de lulas, pequenos peixes e crustáceos. Ambos constam em listas de espécies ameaçadas de extinção. Como estratégia de defesa contra predadores, podem liberar um líquido escuro a partir do intestino, semelhante a uma tinta.
Orientação à população
Em caso de avistamento de animais marinhos encalhados no trecho entre a Barra do Rio Araranguá e a Barra do Rio Mampituba, a orientação é entrar em contato com a Educamar pelo telefone 0800 641 5665.
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas (PMP-BP) é uma exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama para atividades de pesquisa e aquisição de dados geológicos realizadas pela TGS na Bacia de Pelotas.
