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O maior projeto de biodiversidade já realizado na região Sul do Brasil

Iniciado em março deste ano, o Projeto Biodiversidade Pelágica na Plataforma e Talude Continental da Bacia de Pelotas é considerado o maior projeto de biodiversidade marinha já realizado na região Sul do Brasil. A iniciativa reúne pesquisadores de instituições de referência e vai gerar dados inéditos sobre a vida oceânica em uma das áreas mais estratégicas do Atlântico Sul.

Base de dados científica para gestão e conservação do espaço marinho

O objetivo do Projeto Biodiversidade é criar uma base de dados científica que sirva de referência para tomadas de decisão sobre o uso do espaço marinho e a conservação da sua biodiversidade.

Durante os cruzeiros, equipes multidisciplinares coletam dados oceanográficos e biológicos – desde microorganismos até grandes vertebrados da megafauna marinha, como baleias, golfinhos, tartarugas e aves marinhas – em diferentes pontos do oceano. Estão sendo empregados instrumentos, técnicas e tecnologias avançadas, como monitoramento acústico, para detecção de cetáceos e coleta e análises de plâncton, peixes e outros organismos da teia alimentar marinha.

O projeto é coordenado pelo Ecomega, do Instituto de Oceanografia/Universidade Federal do Rio Grande-IO/FURG, reúne outros laboratórios da instituição, as ONGs Aqualie e Kaosa, e conta com recursos da TGS.

A iniciativa integra as condicionantes do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades de pesquisa e aquisição de dados geológicos realizadas pela TGS na Bacia de Pelotas.

Com duração estimada de três anos – entre logística, expedições, análises laboratoriais e elaboração de relatórios técnicos –, o projeto contempla quatro expedições científicas a bordo de navios de pesquisa da FURG, especialmente o Navio Oceanográfico “Atlântico Sul”.

O legado científico do projeto

Os resultados do Projeto serão compartilhados com o Ibama e disponibilizados para a comunidade científica. As informações serão fundamentais para ajudar a identificar áreas importantes, de maior relevância ecológica, e gerar conhecimento para apoiar ações de conservação e planejamento espacial marinho.

As primeiras expedições (março a junho de 2026)

A primeira expedição partiu do Porto de Rio Grande no dia 28 de março. Foi realizado um único cruzeiro com duração total de 95 dias que foi executado em quatro fases (duas etapas oceânicas e duas etapas costeiras, nas partes Norte e Sul da Bacia de Pelotas) com diversas idas e vindas ao porto para troca de equipe e reabastecimento.

Nesse período, o “Atlântico Sul” percorreu 38 transecções marítimas com 130 pontos de coleta distribuídos pela costa, totalizando 6.654,6 milhas náuticas navegadas (cerca de 12.300 km). A área investigada abrangeu uma vasta faixa marítima entre o extremo sul do Rio Grande do Sul e o norte de Santa Catarina, alcançando desde águas rasas, de 10 m, até regiões profundas com mais de 4.000 m de profundidade.

Novas expedições (setembro a dezembro de 2026)

A próxima expedição do projeto Biodiversidade, cobrirá a mesma área e pontos de coleta, e será dividida em seis etapas, de setembro a dezembro. Serão feitas paradas nos portos de Rio Grande e Itajaí para reabastecimento de água, combustível, alimentos perecíveis e troca de equipe.

Etapa
Área
Data de início e fim
Embarque e desembarque
Etapa 1
Início – Oceânico Sul
21/set
Porto de Rio Grande
Fim – Oceânico Sul
03/out
Porto de Rio Grande
Etapa 2
Início – Oceânico Sul
07/out
Porto de Rio Grande
Fim – Oceânico Sul
18/out
Porto de Rio Grande
Etapa 3
Início – Oceânico Norte
22/out
Porto de Rio Grande
Fim – Oceânico Norte
02/nov
Porto de Rio Grande
Etapa 4
Início – Oceânico Norte
06/nov
Porto de Rio Grande
Fim – Oceânico Norte
18/nov
Porto de Itajaí
Etapa 5
Início – Costeiro Norte
22/nov
Porto de Itajaí
Fim – Costeiro Norte
02/dez
Porto de Rio Grande
Etapa 6
Início – Costeiro Sul
06/dez
Porto de Rio Grande
Fim – Costeiro Sul
19/dez
Porto de Rio Grande

O Navio Oceanográfico "Atlântico Sul"

As expedições do projeto biodiversidade são realizadas pelo Navio Oceanográfico “Atlântico Sul”, da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), uma das principais embarcações de pesquisa científica marinha do Brasil.

O navio tem 36 metros de comprimento, 8 metros de largura (boca) e 4,15 metros de altura lateral (pontal). Consegue navegar por até 20 dias seguidos sem necessidade de reabastecimento. Acomoda uma tripulação fixa de 10 a 12 marinheiros e tem capacidade para levar até 14 pesquisadores/cientistas a bordo por expedição.

A bordo, conta com laboratórios equipados para análise de amostras biológicas, e é equipado com guinchos oceanográficos, ecobatímetros de dupla frequência, redes de arrasto e amostradores de água para análises de nutrientes e coleta de microorganismos, redes de zooplâncton e sensores oceanográficos medir temperatura, condutividade, pressão, oxigênio dissolvido e CO2.

Equipe a bordo

A tripulação a bordo do navio é formada por equipes multidisciplinares de biólogos e oceanógrafos, responsáveis pela coordenação científica, identificação de espécies, coletas de amostras biológicas, análises ecológicas e condução de censos populacionais da fauna, e observadores de biota, profissionais treinados para o avistamento contínuo e registro de megafauna marinha (como cetáceos, tartarugas e aves marinhas).

Em cada etapa da expedição, embarcam 26 pessoas. A equipe é formada por 13 pesquisadores, entre oceanógrafos, biólogos e estudantes, e pelos 13 profissionais responsáveis pela operação do navio, incluindo comandante, imediato, marinheiros, equipe de máquinas e cozinheiro.

Rotina das expedições

A rotina a bordo do navio de pesquisa oceanográfica é altamente disciplinada, exaustiva e dividida em turnos.

Biólogos e oceanógrafos revezam-se em turnos de 4 ou 6 horas para operar os equipamentos de coleta biológica e amostragem de água. Já os observadores de biota, por dependerem da luz natural para o trabalho visual, concentram suas atividades entre o amanhecer e o pôr do sol, em um sistema de revezamento (geralmente 2 horas de observação por 2 horas de descanso) para evitar a fadiga visual.

A cada 15 ou 20 dias, ocorre uma troca de equipe e reabastecimento de mantimentos. Aproximadamente na metade do cruzeiro, há também necessidade de reabastecimento de água e combustível.

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Depoimentos

Notícias sobre o projeto

Maior projeto de biodiversidade marinha inicia na região Sul do Brasil

Expedições científicas vão mapear espécies e ecossistemas na Bacia de Pelotas.
Fonte: TN Petróleo

Bacia de Pelotas recebe maior projeto de mapeamento de biodiversidade

Expedições científicas vão mapear espécies e ecossistemas em parceria com a FURG
Fonte: A Hora do Sul

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Expedições científicas vão mapear espécies e ecossistemas na Bacia de Pelotas
Fonte: Engeplus

Expedição Científica em Navegantes Analisa Biodiversidade

Cientistas a bordo de embarcação atracada em Navegantes estudam a biodiversidade marinha em uma região com potencial de exploração de óleo e gás, visando a preservação e o conhecimento
Fonte: Destaque SC

Pesquisadores da FURG monitoram vida marinha na Bacia de Pelotas

Estudo busca entender a biodiversidade da região
Fonte: Jornal do Almoço - RS

Expedições de 120 dias mapeiam vida marinha em escala inédita no litoral do RS

Estudo monitora baleias a aves na Bacia de Pelotas como etapa para futura exploração de petróleo; navio percorrerá 130 pontos na costa
Fonte: Gaúcha ZH