A equipe de Educomunicação do Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Pelotas Sul (PMP-BPS) esteve nos municípios de Mostardas e Tavares nos dias 3 e 4 de fevereiro de 2026, iniciando a construção de uma rede de parcerias voltada à integração entre pesquisa sísmica, monitoramento de praias, ciência, educação e comunidades costeiras ao longo dos dois anos de execução do projeto.
O programa é coordenado pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), em parceria com a Kaosa e o NEMA, e tem como um de seus pilares a devolução à sociedade do conhecimento produzido pelo monitoramento de praias. Essa devolutiva ocorre por meio de ações de educação ambiental, diálogo com comunidades e fortalecimento da compreensão sobre os processos socioambientais que afetam o litoral gaúcho.
Em Mostardas, a equipe visitou as secretarias municipais de Meio Ambiente, Educação e Agricultura, apresentando o projeto e identificando possibilidades de atuação conjunta. Na Secretaria de Educação, a secretária Valéria Castro de Souza demonstrou especial interesse em ações continuadas na escola do Balneário Mostardense — onde a maioria dos estudantes é filha de pescadores — reconhecendo o potencial do programa para aproximar a realidade dessas comunidades do ambiente escolar.
A visita resultou em encaminhamentos imediatos: a equipe foi convidada a participar da Formação Pedagógica de professores da rede municipal, realizada no dia 19 de fevereiro, e obteve abertura para desenvolver atividades com o corpo docente ao longo do ano letivo.
Em Tavares, uma reunião com o vice-prefeito e os secretários municipais de Agricultura e Educação apresentou o PMP-BPS a outro município da área de abrangência do programa. A bióloga Ana Paula, responsável pelo Departamento de Meio Ambiente, aproveitou o encontro para levantar questões relacionadas aos impactos da atividade sísmica sobre a vida marinha, evidenciando o interesse técnico do tema por parte da gestão local.
Como desdobramento da reunião, foram feitos dois convites formais à equipe: a participação na Feira do Livro de outubro, realizada em conjunto com o Festival Brasileiro das Aves Migratórias — que neste ano acontece em Tavares —, e a realização de uma fala na reunião de abertura do ano letivo do município.
Pescadores na linha de frente
Tão relevantes quanto os encontros institucionais foram os diálogos com as comunidades pesqueiras. No acampamento de pescadores próximo à trilha do Talha-Mar, no interior do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, a equipe apresentou o projeto e ouviu relatos sobre as transformações recentes da pesca na região.
Também foi iniciado o contato com a Colônia de Pescadores Z11, em Tavares. Embora não tenha sido possível realizar um encontro presencial nesta visita, o coordenador da colônia entrou em contato posteriormente e manifestou interesse em uma reunião, a ser realizada na próxima ida da equipe ao município.
Uma rede em construção
Além das articulações institucionais, o programa já começa a mobilizar outras organizações que atuam no território. Leonice Homem, da SAVE Brasil, referência em educação ambiental em Mostardas, entrou em contato com a equipe para alinhar objetivos e explorar possibilidades de atuação conjunta.
As visitas evidenciaram um território fértil para o fortalecimento do diálogo entre ciência e sociedade. Nos próximos meses, o PMP-BPS seguirá percorrendo o litoral entre Mostardas e Chuí, construindo, município a município, as pontes necessárias para que o conhecimento produzido nas praias chegue a quem mais precisa dele.
