Dados coletados durante as expedições serão fundamentais para apoiar ações de conservação e planejamento espacial marinho
A TGS e a Universidade Federal do Rio Grande (FURG) iniciaram nesta quarta-feira (23/9) a segunda fase do projeto Biodiversidade. Considerado o maior projeto de biodiversidade marinha já realizado na região Sul do Brasil, a iniciativa é coordenada pelo Ecomega – laboratório do Instituto de Oceanografia da instituição –, reúne outros laboratórios e as ONGs Aqualie e Kaosa, e conta com recursos da TGS, empresa norueguesa que realiza o levantamento do potencial petrolífero na Bacia de Pelotas.
“A iniciativa representa um marco. O Projeto Biodiversidade materializa o compromisso da TGS com o conhecimento científico, com a preservação do meio ambiente e da biodiversidade, e com o propósito de deixar um legado tangível de dados oceanográficos e biológicos de alta qualidade, que estarão a serviço da comunidade científica, dos órgãos ambientais e da sociedade”, afirma João Correa, country manager da TGS no Brasil.
O projeto foi iniciado no início deste ano. As expedições são realizadas a bordo de uma das principais embarcações de pesquisa científica marinha do Brasil: o Navio Oceanográfico “Atlântico Sul”, da FURG.
A primeira expedição partiu do Porto de Rio Grande no dia 28 de março e realizou quatro cruzeiros, cada um com duração de 12 a 95 dias. Nesse período, o “Atlântico Sul” percorreu 38 transecções marítimas com 130 pontos de coleta distribuídos pela costa, totalizando 6.654,6 milhas náuticas navegadas (cerca de 12.300 km). A área investigada abrangeu uma vasta faixa marítima entre o extremo sul do Rio Grande do Sul e o norte de Santa Catarina, alcançando desde águas rasas, de 10 m, até regiões profundas com mais de 4.000 m de profundidade.
“A fase atual do projeto cobrirá a mesma área e pontos de coleta, e será dividida em seis etapas, de setembro a dezembro. Serão feitas paradas nos portos de Rio Grande e Itajaí para reabastecimento de água, combustível, alimentos perecíveis e troca de equipe”, explica Eduardo Secchi, oceanólogo, professor da FURG e coordenador do projeto.

A tripulação a bordo do navio é formada por equipes multidisciplinares de biólogos e oceanógrafos, responsáveis pela coordenação científica, identificação de espécies, coletas de amostras biológicas, análises ecológicas e condução de censos populacionais da fauna, e observadores de biota, profissionais treinados para o avistamento contínuo e registro de megafauna marinha (como cetáceos, tartarugas e aves marinhas).
Em cada etapa da expedição, embarcam 26 pessoas. A equipe é formada por 13 pesquisadores, entre oceanógrafos, biólogos e estudantes, e pelos 13 profissionais responsáveis pela operação do navio, incluindo comandante, imediato, marinheiros, equipe de máquinas e cozinheiro.
A iniciativa integra as condicionantes do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades de pesquisa e aquisição de dados geológicos realizadas pela TGS na Bacia de Pelotas.
“As informações do projeto Biodiversidade serão fundamentais para ajudar a identificar áreas importantes, de maior relevância ecológica, e gerar conhecimento para apoiar ações de conservação e planejamento espacial marinho”, destaca André Favaretto Barbosa, analista ambiental do Ibama.
